25/08/11

Sobre a ressaca

Quando chegou ao bar, retomando o fôlego pela corrida seu amigo estava de pé sobre uma cadeira sugerindo um brinde a ela e ao seu novo amante. Gritava obscenidades sobre esse rapaz que sequer conhecia. Perguntava aos estranhos a sua volta se ele conseguiria fazê-la gozar, gritar, cravar as unhas nos lençóis como ele fazia há tão pouco tempo. "Isso aqui" dizia apertando as calças "já fez muita mulher feliz, mas nenhuma tão feliz quanto essa. E ela me troca por um..." Foi interrompido pelo amigo que o puxou pela manga da camisa e tentou retirá-lo sem muito estardalhaço, mas os bêbados são criaturas que permanecem, não se rendem. E o mais importante: fazem barulho. "Vamos, você já está passando vergonha" insistiu. "não há vergonha nenhuma em afogar amor em cerveja, quem aqui nunca afogou amor em cerveja?" respondeu num tom que foi crescendo até terminar num grito que todos ouviram, e alguns até responderam achando graça na cena. "Amor a gente afoga é nos peitos de outras, meu querido. Vem." No dia seguinte, se lembrava de pouca coisa. Dela.

1 comentários:

Anônimo disse...

Nunca confie num homem que não bebe (Provérbio Chinês)
Aqueles que bebem são mais agradáveis...